Press Releases | WWF Mozambique

Revitalização da Economia Economia do Oceano Índico Ocidental: Acção para um Futuro Sustentável

Embora avaliado em 333,8 mil milhões de USD, Oceano Índico Ocidental está em encruzilhada.

Um novo relatório inovador conclui que os ativos do oceano Índico da região Ocidental1 estão avaliados, de forma prudente, em 333,8 mil milhões de USD. O Relatório prevê contudo desafios significativos para a economia e para os recursos alimentares que o oceano da região providencia, na ausência de acções mais fortes de conservação.

“Revitalização da Economia do Oceano Índico Ocidental: Acções para um Futuro Sustentável” é o resultado de uma avaliação exaustiva e conjunta do WWF, em associação com o Grupo Boston Consulting (BCG) e a CORDIO East Africa. O relatório combina uma análise económica recente dos activos do oceano da região com uma revisão dos seus contributos para o desenvolvimento humano. 

O mesmo revela que os activos mais valiosos da região são as pescarias, os mangais, os leitos de ervas marinhas e os recifes de coral. Os activos costeiros adjacentes e os que absorvem carbono, também são fundamentais para o bem-estar das comunidades e para a saúde da economia do oceano. A análise conclui que a região é fortemente dependente de recursos naturais oceânicos de valor elevado que já estão a mostrar sinais de declínio e oferece um conjunto de acções prioritárias necessárias para assegurar uma ‘economia azul’ sustentável e inclusiva para a região e, desse modo, proporcionar alimentos e meios de subsistência para as populações em crescimento.

Sobre o relatório, a Diretora Nacional do WWF Moçambique, Anabela Rodrigues, disse: “com uma extensão costeira de cerca de 2.700 km, Moçambique possui uma rica biodiversidade costeira e marinha. No entanto, já existem sinais claros de degradação e se não tomarmos as medidas indicadas no relatório como uma prioridade, o futuro de Moçambique e dos países da região será altamente prejudicado incluindo do ponto de vista de segurança alimentar”.

David Obura, autor principal do relatório e director da CORDIO East Africa, disse, “o Oceano Índico Ocidental ainda se encontra num estado relativamente bom em termos globais, mas agora vemos indícios claros do impacto derivado do desenvolvimento costeiro, da procura local e global pelos recursos da região, e das mudanças climáticas. Acções de conservação mais incisivas - assim como investimentos na gestão - precisam de ser realizados de imediato para evitar a degradação destes importantes activos oceânicos e costeiros.”

O relatório mostra que a produção económica anual da região (num exercício de equiparação ao produto interno bruto) é de pelo menos US$21 mil milhões, tornando a ‘economia do oceano’  a quarta maior economia da região por mérito próprio. No Ocenao Índico Ocidental, as actividades que numa base anual se revelam economicamente mais valiosas, são o turismo costeiro e marítimo, seguindo-se o sequestro de carbono e as actividades de pesca2.

O Sócio e Administrador Delegado da BCG, Marty Smits, disse, “O Oceano Índico Ocidental é um verdadeiro caso-teste de como os activos naturais dos oceanos podem ser geridos de forma sustentável para responder às necessidades acrescidas das populações costeiras e às pressões globais. Os argumentos económicos para acção são claros: a protecção e restauração dos activos do oceano como mangais, recifes de coral e actividades de pesca é uma abordagem racional para a futura segurança e prosperidade económica.”

John Tanzer, que lidera a área de trabalho com os Oceanos no WWF, disse, “O Oceano Índico Ocidental, tem de constituir uma prioridade fulcral para os líderes regionais e globais de modo a assegurar a realização com êxito dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e do compromisso do acordo climático de Paris. Poucos outros lugares tornam tão claro o quão interligados estão os destinos das populações costeiras e a saúde dos ecossistemas oceânicos. A protecção de habitats oceânicos e a gestão sustentável de actividades de pesca – tanto de pequena escala como a nível indústrial – são apenas duas áreas que proporcionarão grandes dividendos para os anos vindouros.”

“Dentro da região, a iniciativa “Norte do Canal de Moçambique”, constitui um exemplo elucidativo da dimensão da ambição quanto a uma abordagem integrada e sustentável de gestão do oceano que se torna possível quando os responsáveis pela tomada de decisões se reúnem em torno de uma visão comum.” Disse Tanzer.

Notas aos editores

1 A região do Oceano Índico Ocidental descrita neste relatório inclui Comores, França, Quénia, Madagáscar, Maurícias, Moçambique, Seicheles, Somália, África do Sul e Tanzânia – uma mistura de estados insulares e continentais. A população total é de cerca de 220 milhões, mais de um quarto dos quais vive a cerca de 100km da costa.

2 O relatório também aponta para a probabilidade de que grande parte da actual actividade de pesca na região é para fins de consumo doméstico, através da pesca de pequena escala, que não é adequadamente monitorada ou medida em termos económicos, portanto a extensão real da pesca e a sua importância para as comunidades locais é provavelmente muito maior do que as análises económicas indicam.

O relatório, o sumário (também disponível em Francês e Português) e a metodologia encontram-se disponíveis em: ocean.panda.org

As fotografias do relatório para uso com créditos encontram-se disponíveis aqui