Moçambique juntou-se ao mundo na celebração da “Hora do Planeta” | WWF Mozambique

Moçambique juntou-se ao mundo na celebração da “Hora do Planeta”



Posted on 30 March 2017   |  
Hora do Planeta 2017
© WWF Mozambique
Moçambique juntou-se aos outros 186 países a nível global que, no sábado, 25 de Março, das 20h30 às 21h30, celebraram a “Hora do Planeta”, um movimento ambiental global promovido pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), com objetivo de sensibilizar a humanidade sobre o impacto das mudanças climáticas, apelando também ao uso sustentável dos recursos naturais.

Sob o lema “água, florestas e energia”, o evento contou com a presença de cerca de 500 pessoas e realizou-se na Avenida 10 de novembro, na Baixa da Cidade. A celebração teve a colaboração de várias instituições públicas e privadas: o Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER); o Ministério do Interior; o Conselho Municipal, a Electricidade de Moçambique (EDM), o Standard Bank, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), a Águas da Namaacha, a Cervejas de Moçambique (CDM), os Hotéis Polana, Avenida, Cardoso, Terminus, Southern sun, Monte Carlo e o restaurante Zambi.
 
Sobre o evento
 
Por volta das 12h00, a Avenida 10 de Novembro, uma das mais emblemáticas da Cidade de Maputo, já observa uma agitação anormal. Começa a preparação de um dos eventos mais significativos, a nível mundial – a Hora do Planeta – que este ano, completa 10 anos da sua existência. As actividades, na avenida, vão desde o bloqueio da rua; a montagem do palco, testagem do som, a colocação dos teardrops, dos gazebos, dos urinóis, a observação de todos os protocolos de segurança, os últimos contactos com os parceiros do evento, entre outros. Deve-se garantir que tudo corre conforme o previsto.
 
O tempo em Maputo não está bom. Tal como no dia anterior, Sexta-feira, há ameaça de chuva na Cidade. A previsão indica aguaceiros ligeiros por volta das 17h00 de Sábado, uma hora antes do início das actividades. A equipa da organização fica desesperada, afinal a chuva deitaria abaixo todo o esforço empreendido. De facto, quando eram 17h00, começou a cair uma chuva miúda, que veio a parar logo depois. E para a alegria da equipa, sol mostrou-se novamente ao mundo.
 
Quando eram 18h00, a Avenida 10 de Novembro começa a registar uma azáfama. O público começa a “inundar” a via pública. Não tem medo do frio. Desde estudantes universitários, membros de organizações da sociedade civil, instituições bancárias, académicos, media e até curiosos que, mesmo não sabendo nada do evento, foram atraídos pela música e agitação anormal escalaram o local do evento. A atmosfera aquece, contrastando com a temperatura do dia.
 
Vídeos sobre a “Hora do Planeta” são exibidos a antecipar o início da cerimónia.
Todos com um denominador comum – chamar à acção de todos contra as mudanças climáticas, apelando para o uso sustentável de recursos naturais, tais como a água, energia e florestas – afinal, esses foram os assuntos sobre os quais gravitou a celebração em Moçambique”.
A água é um recurso natural essencial à vida. Embora renovável, a sua distribuição no mundo é bastante desigual, sendo em muitas regiões insuficiente face às necessidades locais. Do volume total de água no mundo, menos de 0.01% corresponde a água doce utilizável à superfície, acumulada em rios e lagos. Moçambique vem experimentando problemas sérios relacionados à gestão de água, com uma tendência paradoxal caracterizada por cheias nas regiões centro e norte e seca severa no sul.

Aliado a isso, está a deflorestação, que também é apontada como um factor fundamental para a ocorrência, de forma cíclica, de inundações e secas. A deflorestação proporciona menor infiltração de água no solo, o que por sua vez, resulta no menor abastecimento do lençol freático, o que acarreta problemas relacionados à disponibilidade de água, elemento crucial para a geração de energia. O WWF tem estado a advogar a substituição progressiva de energias fósseis por energias renováveis, esperando uma redução de até 80% até 2050. Igualmente, a organização é pela promoção de eficiência energética e poupança de energia.

Pouco depois das 18h00, o animador do evento, Leonel Mendes, faz-se ao palco para anunciar a intervenção dos “amigos do planeta”, que perfilados, iam dando o ar da sua graça. Começou o representante do Standard Bank, Paulino Pires. Seguiu-se o representante da Associação Orera, Cláudio Ferrão; o Conselheiro de Cooperação e Acção Cultural da Embaixada da França, Gilles Roulland; do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), Rogério Lami. A sequência foi instantaneamente interrompida para a exibição de mais um vídeo, antes da intervenção do ambientalista Carlos Serra. Ausente do evento, a Directora Nacional do WWF, Anabela Rodrigues, deixara uma gravação em vídeo, no qual agradecia a presença de todos, contextualizava o evento e deixava ficar algumas mensagens importantes.

As intervenções tem um indicador comum: a gestão sustentável de recursos naturais, com clara indicação da necessidade de se sair da dimensão política para a dimensão prática. Até porque, tal como referiu Carlos Serra, “o planeta está já a dar sinais que devemos saber interpretá-los e, perante essa interpretação, mudarmos a nossa atitude perante ele”. O ambientalista lembrou que “no ano passado, tivemos estiagem na zona sul e este ano, há restrições no abastecimento de água, falta carvão para a cozinha, há cheias e ventos noutras províncias”, sinais que evidenciam algumas mensagens que o planeta terra tem estado a enviar para os humanos.

Quando passavam 30 segundos, das 20h29, começou a contagem decrescente. As 20h30, as luzes do edifício-sede do Standard Bank, da Avenida 10 de Novembro e do Restaurante Zambi foram apagadas. As velas ficavam acesas, balbuciando as suas chamas, ao ritmo da ventania que se fazia sentir. Consumava-se, assim, o momento tradicional da “Hora do Planeta” que consite em apagar as luzes por uma hora, como um gesto simbólico e de reflexão sobre as questões climáticas enfrentadas em cada local ou país.
Simultaneamente, iniciaram-se as actividades #Eu sou Energia# e a dança Zumba, do Ginásio Physical. Tudo ao pormenor. A abrilhantar a cerimónia, também estiveram os Timbila Muzimba e a banda “Tututerry”, com o tema “Respirar na Lua”, escrito em 2004 e alterado em 2016, por forma a adequá-lo ao concurso musical sobre o clima, organizado pelo Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM), do qual foi vencedor.
O momento de apagão, a tal “Hora do Planeta” foi caracterizado por várias actividades, tudo feito à luz velas, acompanhado atentamente pelo drone que, de vez em quando, invadia a privacidade dos presentes para, a partir de cima, captar os momentos mais marcantes da cerimónia.

Exactamente as 21h30, as luzes voltavam a iluminar os locais apagados e a marcar o fim da “Hora do Planeta” e um momento historicamente marcante para o nosso País e para o WWF, em particular. Fica o compromisso de, em 2018, fazer-se melhor e com participação de muitos mais stakeholders.
 
A nível global
Um número inédito de 187 países e territórios juntaram-se para a “Hora do Planeta” no sábado, 25 de Março, para mostrar uma posição comum de acção contra as alterações climáticas. Mais de 3 mil monumentos e edifícios em todo o mundo desligaram as luzes, e milhões de indivíduos, empresas e organizações de todos os sete continentes mostraram o seu compromisso para mudar as alterações climáticas.
O evento deste ano marcou o décimo aniversário do movimento “Hora do Planeta”, que começou como um evento isolado, na cidade australiana de Sidney, em 2007, tendo se tornado no maior movimento de sempre, contra as mudanças climáticas. O ano de 2016 foi o mais marcante em termos de registo e tomada de uma acção mais ambiciosa pelos governos, empresas e outras partes interessadas, para atingir as metas estabelecidas no marco do Acordo de Paris que entrou em vigor em Novembro do ano passado.Toggle virtual keyboard
"Mais uma vez, as pessoas falaram através da Hora do Planeta", disse Sid Das, Director Executivo do movimento. Em todo o mundo, a “Hora do Planeta” é inspirador e mobiliza pessoas para fazer parte da acção climática do nosso planeta, que precisa urgentemente de pessoas, a nível comunitário e nacional.
Sobre o WWF

O WWF é uma das maiores e mais respeitadas organizações independentes de conservação do mundo, com mais de 5 milhões de apoiantes e uma rede global activa em mais de 100 países. A missão do WWF é de parar a degradação do ambiente natural da Terra e construir um futuro no qual os seres humanos vivam em harmonia com a natureza, conservando a diversidade biológica do mundo, assegurando que o uso de recursos naturais renováveis seja sustentável e promovendo a redução da poluição e consumo. 
Hora do Planeta 2017
© WWF Mozambique Enlarge

Comments

blog comments powered by Disqus