Abertura de locais de veda temporária para a pesca de polvo no Parque Nacional das Quirimbas | WWF Mozambique

Abertura de locais de veda temporária para a pesca de polvo no Parque Nacional das Quirimbas

Posted on
11 December 2017
Cerca de 450 pessoas participaram nas cerimónias de abertura de Vedas para a Pesca de Polvo no Parque Nacional das Quirimbas (PNQ), onde grande parte das comunidades, na sua maioria mulheres dedicam-se à actividade colectora de polvo e outros recursos da zona entre marés.

O evento que aconteceu entre os dias 05 e 06 de Dezembro de 2017 integra-se no contexto do Projecto Bengo do Programa Marinho do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), sobre a conservação da biodiversidade marinha e costeira através da implementação de medidas de adaptação as mudanças climáticas pelas comunidades de pescadores locais na área do PNQ.

A antecipar à abertura dos locais de veda selecionados, realizaram-se várias actividades durante um período de preparação de cerca de nove meses, entre as quais, expedições de troca de experiências à nível nacional e regional entre as comunidades de pescadores e representantes do governo do Ibo, Madagáscar e Palma e as actividades que se destacaram foram as de treinamento e sensibilização das comunidades de pescadores de polvo e autoridades do governo distrital do Ibo sobre a importância da adopção de prácticas sustentáveis de pesca e a adaptação às mudanças climáticas, selecção e demarcação dos locais pelas comunidades de pescadores, estabelecimento de uma fiscalização conjunta, análise de oportunidades de mercado e elaboração de um acordo sobre a actividade pesqueira nos dias de abertura das vedas entre as comunidades e autoridades locais.

A iniciativa tem como objectivo promover a práctica contínua de vedas comunitárias na área do PNQ e futuramente promover também uma veda regulamentada para a pesca de polvo ao nível nacional. Com esta práctica poder-se-á contribuir para a implementação efectiva do Plano de Maneio do PNQ e do Plano de Acção para a Pesca Artesanal em Moçambique, através de uma gestão efectiva das pescarias de polvo e subsequente melhoramento da qualidade de vida de diversas famílias no País.



Durante os dois dias de abertura de duas vedas temporárias e comunitárias para a pesca de polvo no PNQ, os pescadores capturam um total de cerca de 4.305Kg de polvo e 1.570kg de Peixe.
No 1˚ dia de abertura da veda do Banco São Gonçalo, área de 316 Hectares, ocorrida no dias 5 e de Dezembro 2017, os pescadores de Ibo e Matemo, capturaram consideráveis quantidades que atingiram 3.500 Kg de polvo e 850 Kg de peixe com uma diversidade de espécies de peixe papagaio, pedra e pelágicos. Adicionalmente, no Banco Tchamba, área de 434 Hectares, cuja abertura foi no dia 6 de Dezembro 2017, os pescadores da ilha Quirimba, conseguiram 805 Kg de polvo e 720 Kg de peixe, também com maior diversidade de peixe papagaio e pelágicos.

Maria Momade, Zura Iahiya, Mualimo Dadi e Abdul Pedro apanhadores de polvo, das comuidades Ibo e Quirimba disseram que estão satisfeitos com os resultados que alcançaram, principalmente pela quantidade e tamanho de polvo, considerados maiores em relação às capturas antes do período de vedas.

Daúdo Inchaba, pescador residente na ilha do Ibo, gratificante pela implementação desta iniciativa, afirmou que conseguiu uma captura de 90 Kg de polvo e 9.000, 00MT, em apenas um dia.

Abdul Arage, que comprou maior parte de polvo e peixe no dia da abertura de veda do banco Tchamba na Ilha Quirimba, pagou cerca 15 mil meticais aos 4 pescadores ilhéus associados de um barco de pesca.
Por sua vez, o administrador do Parque Nacional das Quirimbas, Albino Jacinto Nhusse, satisfeito com resultados, disse que as zonas vedada dentro daquela área de conservação já tinham pouca quantidade e tamanho reduzido de polvo antes da veda, tendo o mesmo secundado que houve assim uma recuperação natural de espécies, por iniciativa das própias comunidades.



“Mais do que claro, é prova de que as vedas contribuem para o uso sustentável dos recursos dentro do Parque das Quirimbas e é por isso que este tipo de iniciativa deve ser promovida de forma continua pelas comunidades, não apenas nas Quirimbas, mas também por outras comunidades. Com o apoio dos nossos parceiros foi necessário acolher experiências de outras comunidades dentro da província e fora do país.”

Albino Jacinto Nhusse, ficou igualmente satisfeito pelo facto de toda quantidade de polvo e peixe capturados, terem tido mercado imediato.
 
As aberturas das vedas comunitárias foram testemunhadas pelos governos dos distritos do Ibo, Quissanga, Macomia e pelo Administrador do Parque. Igualmente, contaram com a presença de representantes do Ministérios do Mar, Águas Interiores e Pescas, Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, para além de representantes do WWF, Macomia, Quissanga, Quiwia e palma, que também encorajam a réplica e continuação desta iniciativa.
 
De acordo com as comunidades locais, as duas vedas implementadas no PNQ, irão continuar nos locais anteriormente estabelecidos, sete dias após as aberturas.

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