Capturadas mais de 12 toneladas de polvo em três aberturas de vedas | WWF Mozambique

Capturadas mais de 12 toneladas de polvo em três aberturas de vedas

Posted on
27 November 2018
O Parque Nacional das Quirimbas (PNQ) procedeu de 21 a 23 de novembro do ano em curso, nos distritos de Ibo e Quissanga, província de Cabo Delgado, três aberturas das vedas temporárias e locais para a pesca de polvo. Quatro comunidades de pescadores, nomeadamente, ilhas Quirimba, Ibo, Matemo e aldeia Arimba, capturaram nos três dias de abertura, um total de 12.725 kg de polvos e 8.346 kg de peixe.
 
No primeiro dia, quarta-feira, a cerimónia de abertura teve lugar na Ilha Quirimba e contou com a participação de 250 pescadores, homens e mulheres, vindos das diferentes aldeias da ilha, estes capturaram cerca de duas toneladas e quatrocentos quilogramas de polvo. Afito Saibo, foi o pescador que se destacou ao capturar 108 kg num período de 07 horas.

Contexto de implementação

O programa de vedas iniciou em março de 2017, com um número cumulativo de 6 aberturas, e total de captura de peixe e polvo de mais de 21 toneladas, tendo os pescadores locais arrecadado cerca 2. 107 175 Meticais.

A veda temporária do polvo foi implementada no âmbito de um programa levado a cabo pelas comunidades e autoridades locais, em coordenação com o projecto marinho do Fundo Mundial para a Naturez (WWF), cujo objectivo é garantir a conservação da biodiversidade marinha e costeira, através da implementação de medidas adaptáveis às mudanças climáticas no PNQ, aumentado assim a resiliência ecológica e social das comunidades garantindo a segurança alimentar e o aumento do rendimento.
 
As três áreas de vedas, ora abertas, foram identificadas pelas comunidades. As comunidades da Ilha Quirimba identificaram o Banco T`chamba, com uma extensão de corais de 434 ha, e uma profundidade de que varia entre 2 a 15 metros, dependendo da maré. As comunidades das Ilhas de Matemo e Ibo identificaram o Banco de Songossawe, localizado numa plataforma plana de corais, com 396 ha e uma profundidade que varia entre 5 a 10 metros. Por último, a comunidade Arimba identificou a ilha Kipaku, cuja plataforma cobre uma área de cerca de 176 ha e uma profundidade que varia entre 1 a seis metros.

Mercado

O polvo e o peixe capturados no dia de abertura são vendidos por 100 Meticais/Kg. Os compradores, por sua vez, revendem a preços que variam de 350 a 600 MT/kg, nas cidades de Nacala-Porto, Ilha de Moçambique, Cidade de Nampula e na vizinha Tanzânia. Localmente, durante os três dias de abertura, os pescadores amealharam 1.132.875,00MT em vendas.

Facto importante observado durante a abertura das vedas é que existe uma procura notável nos mercados existente nos locais. Quando o pescador desembarca, assiste-se a uma grande disputa pelo produto pesqueiro, entre os compradores locais e os provenientes de Nampula, e Cabo delgado.



Invasão das Vedas

Os pescadores ilegais têm invadido sistematicamente as áreas de veda, incluindo os santuários marinhos existentes no PNQ, a busca do polvo e outros recursos ali existentes. Maior parte deles são provenientes dos distritos de Macomia, Nacala-Porto, Angoche e Ilha de Moçambique.

Por seu turno, o WWF considera que uma fiscalização conjunta envolvendo a procuradoria provincial e distrital e outros parceiros, incluindo os operadores turísticos poderá trazer resultados positivos face a este problema. A colaboração das comunidades é também crucial para denunciar a ocorrência de actividades ilegais no Parque. Algumas prácticas ilegais têm sido reportadas através do Sistema de Monitoria Orientado para a Gestão (SMOG), que está a ser coordenadoo pelas comunidades, através de Conselhos Comunitários de Pescas e Comités de Gestão de Recursos Naturais. Registos de actividades ilegais incluindo apresentação dos resultados às autoridades locais tem sido realizadas na área, impulsionando deste modo a tomada de medidas de gestão e decisões pelos gestores do PNQ. 

Fotos da Abertura de Veda de Polvo

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