WWF Moçambique promove estudo sobre a adaptação às mudanças climáticas no Delta do Zambeze

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21 April 2021
O final do ano de 2020 foi marcado pela elaboração de um importante estudo sobre os impactos causados pelas mudanças climáticas no Delta do Zambeze e as medidas adoptadas pelas respectivas populações rurais, para se adaptarem aos consequentes desafios. Esta pesquisa parte da premissa indicada no estudo do Instituto Nacional de Gestão das Calamidades, realizado em 2012, que projecta uma redução de 20% da precipitação e um aumento da temperatura na ordem dos 3 a 4°C, até 2100, nesta região. Tem também por base a constatação de que os eventos cíclicos, como chuvas intermitentes que causam inundações, ventos fortes que podem evoluir para ciclones e períodos de seca prolongada, contribuem para a degradação da biodiversidade, pondo em risco a sobrevivência das comunidades havendo, por isso, necessidade de se criar um plano de resposta para combater os efeitos das mudanças climáticas.
 
O estudo foi conduzido pelo WWF Moçambique, em colaboração com organizações da sociedade civil e governos provinciais e locais, e envolveu 50 comunidades dos distritos de Nicoadala, Morrumbala, Inhassunge, Luabo, Chinde, Mopeia, Marromeu, Cheringoma, Muanza e Município de Quelimane, nas províncias de Sofala e Zambézia.
 
Depois de uma intensiva fase de investigação, seguiram-se os inquéritos às comunidades que incluíram mulheres, líderes comunitários, idosos, jovens, funcionários públicos e trabalhadores do sector privado, num total de 250 entrevistados.
 
Como consequência do efeito das mudanças climáticas, as comunidades entrevistadas confessaram ressentir-se da escassez de água. O facto de chover menos e com maior irregularidade, fez secar as suas principais fontes de água (na maior parte dos casos, poços) e reduzir os caudais do Zambeze, aumentando a intrusão salina em cada vez mais zonas. O estudo releva também a prática de queimadas para a abertura de novos campos agrícolas, na ânsia de compensar as fracas colheitas. De um modo geral, as comunidades inqueridas são bastante dependentes dos recursos naturais que as rodeiam e têm como principais meios de subsistência a pesca e a agricultura (sobretudo de sequeiro que, muitas vezes, é feita de forma insustentável).
 
Um relatório preliminar deste estudo foi apresentado em Novembro, nas cidades de Quelimane e Beira, às diversas partes interessadas, com destaque para representantes do governo central (nomeadamente Ministério da Terra e Ambiente), governos provinciais, distritais, membros das comunidades locais, sector privado e sociedade civil. Daqui resultaram recomendações que irão complementar o processo de elaboração do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas (NAP) do Governo de Moçambique. Este estudo, enquadra-se igualmente na Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas (2013-2025), que determina acções para aumentar a resiliência local e identificar oportunidades de adaptação e de desenvolvimento de baixo carbono, ao nível comunitário.
 
Uma das medidas recomendadas pelo estudo consiste na revitalização e/ou capacitação das Organizações Comunitárias de Base (OCBs), para que sejam mais interventivas na gestão e preservação dos recursos naturais e da biodiversidade, garantindo a sua disponibilidade para as gerações actuais e futuras.
 
Por sua vez, recomenda ainda a adopção de projectos que promovam a restauração dos ecossistemas, e a implementação de campanhas de educação e sensibilização ambiental.

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