Decorre limpeza de plantas aquáticas e restauração de áreas ribeirinhas no rio Umbeluzi

Posted on
19 August 2022
O crescimento descontrolado de plantas aquáticas invasoras no rio Umbeluzi, concretamente no montante da Estação de Tratamento de Água (ETA), interfere negativamente na vida das comunidades a diferentes níveis. Primeiro, a população ribeirinha tem dificuldades em aceder ao rio e retirar água para a agricultura e actividades domésticas. Segundo, a ETA despende mais recursos para captar, tratar e canalizar a água potável para a província de Maputo, e as cidades de Matola e Maputo. Com vista a reverter os problemas criados pelas plantas aquáticas invasoras, decorrem trabalhos de limpeza, em pontos-chave do rio Umbeluzi, numa área de 20KM.

A actividade é resultado do trabalho conjunto do WWF, AB InBev Moçambique e a Administração Regional das Águas do Sul (ARA-Sul). As técnicas escolhidas para a limpeza do rio são a mecânica e manual, tendo sido contratados homens e mulheres das comunidades ribeirinhas. Cerca de um mês após o início da limpeza, os impactos imediatos já se fazem sentir no seio das comunidades. Isaura e Ilidia são duas agricultoras e dependem da água do rio para regar os canteiros da horta, localizados as margens do rio.

Estas relatam que antes da limpeza não era fácil aceder ao rio e a água que chegava a casa através do sistema de abastecimento público, também, apresentava problemas derivados das plantas aquáticas invasoras. “O trabalho de limpeza é bom para a nossa comunidade, o rio estava sujo, havia muito capim alto. A água que saía da torneira tinha cheiro e bichinhos.” As duas mulheres entrevistadas, dizem esperar que a acção se repita no próximo ano, porque é difícil retirar o capim manualmente. Igualmente, os membros da comunidade envolvidos na limpeza dizem estar satisfeitos com a o trabalho e os resultados. “O nosso trabalho é difícil porque o capim já criou raízes profundas, mas é bom porque nós usamos a água do rio para as actividades domésticas.Antes de iniciarmos esta actividade a água estava suja, não corria, as pessoas usavam como lixeira, deitavam animais mortos e fetos.”

Celeste Cipriano, agente de limpeza “Como comunidade já tentamos limpar o rio. Criamos um grupo e fizemos uma limpeza. Tiramos garrafas, roupas e outro lixo, mas não conseguimos retirar o capim porque não tínhamos equipamentos.O capim cresce pelas bordas e gradualmente vai cobrindo o rio, o leito não flui e torna-se um ambiente propício para as cobras procriarem-se. Agora, temos equipamento e é mais fácil fazer o trabalho.”

António Bartolomeu, agente de limpeza Para a ETA no Umbeluzi os impactos positivos (melhoria significativa da qualidade e disponibilidade, traduzida pela redução do cheiro e da cor e potenciais melhorias noutros parâmetros de qualidade da água, que serão avaliados em Setembro, e melhoria dos caudais desde que alguns dos bloqueios foram removidos do rio) são imediatos e esperam que durem a longo prazo.

Segundo o pessoal técnico da ETA, estas acções devem ser repetidas pelo menos mais uma vez por ano, em média, tendo em conta a evolução do crescimento das plantas. "A remoção das plantas do rio traz muitas vantagens para o processo de tratamento da água. Em primeiro lugar, as plantas quando se decompõem criam cheiro e cor na água e para a sua limpeza é necessário comprar produtos, e isso são custos. Por outro lado, mesmo com a utilização de produtos químicos, é difícil remover totalmente a cor resultante da decomposição das plantas" João António, ETA.

É importante frisar que esta é a primeira fase da actividade de limpeza e termina em Setembro, em seguida será feita uma colecta de resultados.

Comments

blog comments powered by Disqus